França propõe aumentar idade de aposentadoria e taxar mais os ricos -Agência DIAP Qui, 17 de Junho de 2010 15:58 Plano prevê aumento de 60 para 62 anos como a idade mínima para aposentadoria. Isso seria implementado gradualmente até 2018. Para a aposentadoria integral, sem ter contabilizado um número suficiente de anos de contribuição, a idade passaria de 65 para 67 anos-No Valor Econômico, Com agências internacionais
O governo da França anunciou que pretende aumentar a idade de aposentadoria e elevar os impostos dos mais ricos. Com isso, quer reequilibrar o sistema previdenciário e as contas do país.
O plano prevê o aumento de 60 para 62 anos como a idade mínima para aposentadoria. Isso seria implementado gradualmente até 2018. Para a aposentadoria integral, sem ter contabilizado um número suficiente de anos de contribuição, a idade passaria de 65 para 67 anos. "Trabalhar mais tempo é inevitável", disse o ministro do Trabalho francês, Eric Woerth. "Todos os nossos parceiros europeus já trabalham mais. Não podemos deixar de se juntar a este movimento", acrescentou.
A Alemanha vai aumentar de 65 para 67 anos a idade de aposentadoria até 2029; o Reino Unido de 65 para 68 até 2046. No Brasil, homens têm direito a aposentadoria integral aos 65 anos, com 35 anos de contribuição; mulheres, aos 60 anos, com 30 ano de contribuição. Na prática, a idade média de aposentadoria em todos os países costuma ser menor que a idade legal, por conta de benefícios.
O ministro disse que as reformas equilibrariam as contas da Previdência daqui a oito anos e criariam um superávit a partir de 2020. Sua previsão entretanto foi baseada em uma taxa de desemprego de 6,5% em 2018 - um nível não alcançado desde 1981. O desemprego está por volta de 9,5%.
Pelo lado tributário, as novas alíquotas incidirão sobre os salários mais elevados, sobre opções de ações e sobre receitas obtidas com investimento de capital.
A elevação dos impostos para os salários maiores, de 40% para 41%, foi incluída para satisfazer os sindicatos e o Partido Socialista, que criticaram a elevação da idade mínima para aposentadoria. Com as novas alíquotas, pretende elevar a arrecadação em € 3,7 bilhões até 2018. As propostas do governo ainda podem ser modificadas antes de serem apresentadas ao Parlamento, em setembro.
O presidente Nicolas Sarkozy espera que a reforma convença os investidores, assustados com o tamanho dos déficits fiscais pela Europa, que seu governo tem determinação em diminuir o pesado endividamento do Estado francês e em capacitar a França a manter a classificação de sua dívida no patamar AAA. A França é um dos países que mais gastam com aposentadorias na União Europeia, segundo dados do Insee. Em 2007, os gastos com a Previdência representaram 13,3% do PIB, acima dos 11,8% registrados na média da UE para o mesmo ano. O governo francês disse que o déficit previdenciário irá subir para € 70 bilhões em 2030 e para € 100 bilhões a partir de 2050 se nada for feito para mudar o sistema.
Para Sarkozy, a idade de aposentadoria é mexer com um tabu. O direito de se aposentar aos 60 anos é considerado uma das maiores conquistas sociais dos governos socialistas do país. Foi adotado em 1983 pelo então presidente, François Mitterrand. "O simbolismo é importante. Mexer com o limite de 60 anos é quebrar uma barreira psicológica. A partir daí, você pode começar a mexer com outras coisas" , disse Gilles Moec, economista do Deutsche Bank em Londres.
Apesar da série de concessões, como o aumento dos impostos sobre os mais ricos, o governo de centro-direita de Sarkozy vai enfrentar uma forte oposição dos sindicatos, que estão organizando greves e manifestações.
Mas, em contraste com as revoltas contra as reformas que seus seus antecessores tentaram implementar no mercado de trabalho do país, desta vez é improvável que o presidente seja forçado a voltar atrás ou que os sindicatos consigam fazer com que os deputados votem contra as mudanças.
Para analistas, os eleitores franceses vêm sendo "amansados" nos últimos meses por causa das manchetes na imprensa sobre a crise de dívida da zona do euro e sobre como outros governos europeus vêm adotando pacotes de austeridade mais dolorosos que o da França.
Manifestação em Paris no dia 27 de maio
FONTE:MOSAP(movimento dos servidores aposentados e pensionistas)
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